Nós, os brasileiros que vivemos as épocas dos "pacotes", da mudança da moeda em circulação, da inflação diária que chegou a dois dígitos, das aplicações de dinheiro no "over night", quando o dinheiro amanhecia como se tivesse se valorizado da noite para o dia,..... nós somos os FILHOS DA CRISE.

Nada mais nos assusta. Já passamos por quase tudo o que existe de conhecido nos desastrosos registros financeiros e econômicos.

Há coisas novas, possíveis no mundo da economia, que merecem ser analisadas com base nos fatos históricos, já que, como o modismo, se repetem.

A primeira crise financeira da modernidade, conhecida como "BOLHA DAS TULIPAS" estourou em 03 de fevereiro de 1637.

Na Europa, houve época em que a moeda de troca foi a Tulipa, uma flor, até quando foi proclamado que flor não tem um valor financeiro intrínseco. Sobrou flor nos canteiros e muita riqueza desapareceu.

Até que o mercado financeiro se acomodasse houve um momento de beligerância conhecido como "A GUERRA DAS TULIPAS".

Séculos depois, em julho de 1944, ainda em curso a 2ª Guerra Mundial, mais de 700 especialistas em finanças das 44 nações aliadas, as mais representativas da economia mundial na época, se reuniram em Bretton Woods (Estados Unidos) para estabelecer o sistema monetário a vigorar após a II Guerra Mundial.

Nesta reunião duas propostas principais foram analisadas com maior profundidade: uma da Inglaterra, apresentada por Keynes, que propunha uma moeda fiduciária de reconhecimento internacional, chamada "BANCOR", servindo para liquidar os débitos entre bancos centrais através de um serviço de compensação; outra proposta, dos Estados Unidos, apresentada por White, indicava o dólar como moeda internacional.

Foi aceita a segunda proposta, que atrelava o compromisso dos EUA em assegurar a conversibilidade do dólar em ouro, ao preço de 35 dólares por onça-troy.

Passados 27 anos de absoluta confiança na decisão de Bretton Woods, em 15 de agosto de 1971, o Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, unilateralmente, decretou o fim da conversibilidade do dólar em ouro. A garantia do dólar passou a ser a ESTABILIDADE ECONÔMICA DOS ESTADOS UNIDOS.

Na época, os haveres dos Bancos Centrais dos países credores, em dólares, eram mais de quatro vezes as reservas-ouro dos EUA.

Desde então, o Banco Central americano continuou emitindo dólares, financiando os constantes déficits do balanço de pagamentos dos EUA. Não havia mais a necessidade de equivalência de lastro em ouro para novas emissões de moeda.

Sem outra alternativa, o mundo econômico continuou e continua acreditando no valor "intrínseco" da moeda DÓLAR. O EURO, como alternativa, ainda não se consolidou.

O Banco Central do Brasil, na tentativa de segurar a valorização do REAL, é um assíduo comprador de dólares e tem bilionárias reservas. Já o Equador, como país, não tem moeda própria e usa o dólar como moeda circulante, assim como o Panamá e outros países.

Nós, cidadãos brasileiros, também guardamos "dólares no colchão", talvez as sobras de viagens já feitas e/ou economias para outras viagens futuras.

O mundo está entulhado de dólares e o fortalecimento da economia da China, como exportadora, obriga os EUA a emitir muito mais, até por que a desvalorização do dólar em países tradicionalmente exportadores, dificulta suas exportações, como no caso do Brasil.

Agora, passando para o "mundo do imaginário", pensemos na possibilidade de apenas uma mudança na cor da moeda DÓLAR: por um decreto presidencial deixaria de ter a cor verde e seria impresso com uma nova cor qualquer. As notas verdes, que conhecemos por "verdinhas", teriam um divulgado prazo de validade.

Certamente seria um colapso financeiro: A BOLHA DO DÓLAR.

Alguns não teríam como trocar os dólares armazenados pelo novo dólar, até por não ter a necessária justificativa de procedência.

Um "empurra empurra" da moeda, todos tentando livrar-se das velhas ou tentando substituir as "verdinhas" pelas de nova cor merece um detalhado estudo de comportamento.

Certamente será regrada uma forma de proteção da moeda legalmente entesourada pelos governos e instituições financeiras para que não haja um colapso mundial.

Muita moeda irá simplesmente PARA O LIXO, ou sobreviverá como peça de museu.

Importante é que apenas esta mudança na cor no dólar salva a economia dos EUA das suas dificuldades de endividamento, que já ultrapassa os trilhões de dólares.

Richard Nixon, em 1971, já fez muito mais do que mudar a cor, quando unilateralmente eliminou a conversibilidade do dólar em ouro.

O Brasil, que já foi campeão na troca da cor, da forma e do valor de suas moedas, tem precedente. Nada poderia reclamar.


Por Dr. Paulo Vicente Caleffi, bacharel em economia e Advogado.